
Quando a gente pensa em um planeta parecido com a Terra, o cérebro entra automaticamente em modo cinema. Florestas tropicais balançando ao vento, oceanos profundos refletindo um céu alienígena, talvez uma civilização avançada debatendo filosofia cósmica enquanto observa as estrelas — tudo isso, claro, com aquele sotaque intergaláctico que Hollywood ensinou a gente a imaginar.
Pois bem. A realidade científica raramente vem com trilha sonora épica… mas às vezes chega perigosamente perto de alimentar esse imaginário.
Astrônomos identificaram um novo candidato a planeta que está chamando a atenção da comunidade científica: HD 137010 b. Ele não é exatamente um “novo lar da humanidade” (calma, Elon), mas reúne características que fazem qualquer caçador de exoplanetas levantar a sobrancelha.
Estamos falando de um mundo localizado a cerca de 146 a 150 anos-luz da Terra — o que, em termos cósmicos, é quase logo ali. Para efeito de comparação, muitas descobertas anteriores consideradas promissoras estão a centenas ou até milhares de anos-luz de distância.
Mas proximidade não é o único atrativo.
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Um planeta quase gêmeo da Terra (pelo menos no tamanho)
Um dos fatores que tornam o HD 137010 b tão interessante é seu tamanho.
As estimativas indicam que ele tem cerca de 6% a mais de diâmetro que a Terra, o que o coloca firmemente na categoria de exoplanetas terrestres — ou seja, mundos rochosos, com potencial para superfícies sólidas, ao contrário dos gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno.
Isso é crucial porque, até hoje, a maioria dos exoplanetas descobertos são enormes, quentes e completamente inóspitos à vida como conhecemos. Encontrar um planeta pequeno, rochoso e próximo do tamanho da Terra já é, por si só, um evento relevante.
Planetas desse tipo têm maior chance de:
- Possuir crosta sólida
- Manter uma atmosfera estável
- Sustentar processos geológicos
- Abrigar água em algum estado
Nada disso é garantia de vida, claro. Mas são pré-requisitos importantes.
Uma estrela parecida com o Sol: ponto extra no placar cósmico
Outro detalhe que joga a favor do HD 137010 b é a estrela que ele orbita.
Trata-se de uma estrela semelhante ao Sol, o que automaticamente aumenta o interesse científico. Estrelas desse tipo tendem a ter ciclos mais estáveis e menos explosivos do que estrelas anãs vermelhas, por exemplo, que frequentemente emitem radiações capazes de destruir atmosferas planetárias.
Em teoria, orbitar uma estrela parecida com o Sol significa:
- Menor exposição a radiação extrema
- Maior estabilidade ao longo de bilhões de anos
- Condições mais previsíveis para o clima planetário
É exatamente esse tipo de ambiente que torna possível discutir, ainda que com cautela, a famosa pergunta: “e se…?”
Zona habitável: metade do copo cheio, metade congelado
Aqui entramos no ponto mais comentado — e mais mal compreendido — da descoberta.
Modelos iniciais sugerem que o HD 137010 b teria cerca de 50% de chance de estar na chamada zona habitável. Essa zona é definida como a faixa de distância da estrela onde a água líquida poderia existir na superfície.
E água líquida, como sabemos, é um dos ingredientes-chave para a vida como a conhecemos.
Mas atenção:
zona habitável não significa planeta habitado.
Nem sequer significa planeta confortável.
Ela apenas indica que, dadas certas condições, a água poderia existir.
É uma possibilidade estatística, não uma promessa.
O lado congelante da vizinhança estelar
Agora vem a parte que joga um balde de água (congelada) no hype.
Apesar da empolgação inicial, os modelos climáticos indicam que o HD 137010 b pode ser bem mais frio do que gostaríamos. A estrela que ele orbita é um pouco menos luminosa e mais fria que o Sol, o que reduz significativamente a energia recebida pelo planeta.
As estimativas apontam temperaturas médias que podem chegar a cerca de –70 °C — mais frias do que Marte.
Ou seja: nada de praias tropicais espaciais por enquanto.
Para que água líquida existisse de forma estável na superfície, o planeta precisaria de:
- Uma atmosfera bem mais densa que a da Terra
- Um efeito estufa significativo
- Composição atmosférica favorável
E, no momento, não sabemos se isso existe lá.
Vida? Talvez… mas não do jeito que a gente imagina
Quando falamos em vida fora da Terra, nosso cérebro automaticamente imagina algo familiar: plantas, rios, talvez criaturas caminhando sob dois sóis.
Mas a ciência é mais humilde — e mais criativa.
Se existir vida no HD 137010 b, ela provavelmente seria:
- Microbiana
- Adaptada ao frio extremo
- Dependente de processos químicos diferentes
- Possivelmente subterrânea
Nada de cidades alienígenas jogando frisbee, infelizmente.
Mas mesmo vida microbiana já seria uma revolução científica gigantesca.
Universo em revisão: candidato, não confirmação
É importante reforçar um ponto essencial:
HD 137010 b ainda é um candidato a planeta.
A evidência principal vem de um único sinal de trânsito detectado nos dados da missão Kepler K2, coletados em 2017. Um trânsito ocorre quando um planeta passa na frente de sua estrela, causando uma leve diminuição no brilho observado.
Um único trânsito é promissor, mas não definitivo.
Para confirmar a existência do planeta com 100% de certeza, os cientistas precisam de:
- Novos trânsitos observados
- Medições independentes
- Análises complementares de massa e órbita
A ciência funciona assim: com cautela, revisão constante e muita paciência.

Por que essa descoberta importa tanto?
Porque ela faz parte de algo maior.
A busca por planetas semelhantes à Terra é uma das grandes narrativas científicas do século XXI. Ela rivaliza, em impacto cultural, com temas como inteligência artificial, exploração espacial profunda e até multiversos.
Cada novo candidato como o HD 137010 b não é apenas um dado técnico. É um convite à reflexão.
Ele nos força a perguntar:
- Estamos sozinhos no universo?
- Quantos mundos parecidos com o nosso existem?
- A vida é rara… ou comum?
- Será que um dia poderemos visitar esses lugares?
Mesmo que nossas naves ainda estejam presas ao Sistema Solar, essas descobertas expandem nosso mapa mental do cosmos.
Um lembrete cósmico de humildade
No fim das contas, o HD 137010 b talvez não seja habitável. Talvez nem exista da forma como imaginamos.
E tudo bem.
A ciência não avança apenas com respostas. Ela avança com boas perguntas.
Descobertas como essa nos lembram que o universo é vasto, complexo e muito mais estranho do que qualquer ficção científica já escreveu. E que, mesmo a 146 anos-luz de distância, algo lá fora pode nos ajudar a entender melhor quem somos aqui.
A imaginação corre quase à velocidade da luz.
A ciência vai mais devagar.
Mas quando as duas se encontram… é aí que o universo fica realmente interessante.







